Geração da internet é menos fiel às marcas
27.07.2010 | Escobar AdvocaciaQuem nasceu entre 1978 e 1990 é considerado da geração Y, marcada pela popularização da internet. São jovens que hoje estão na faixa etária dos 20 aos 30 anos e cresceram com as facilidades do mundo interligado pela rede. E as características dessa geração são bem marcantes: velocidade, liberdade, consumo, individualidade e tecnologia. O perfil é confirmado por uma pesquisa da Bridge Research com 672 jovens de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.
Por causa dessas características, a pesquisa confirmou também que, apesar dos modismos, a geração Y aposta mais no consumo de qualidade do que na ostentação de marcas. "Talvez por estarem fortemente ligados ao consumo, os Ys acabam por se relacionar de um modo menos ostensivo com as marcas em geral. Não fogem, necessariamente, do modismo, mas as marcas assumem uma função de qualificadoras do produto e não de quem os usa", afirma Renato Trindade, presidente da Bridget Research.
Sara Souza, 31, aponta qualidade e preço do produto como os primeiros requisitos para a compra e utiliza a internet para auxiliar na pesquisa. "Eu precisava comprar uma máquina fotográfica. A primeira coisa que fiz foi pesquisar na rede sobre marcas, modelos e fabricantes. Hoje, acho que sei mais do assunto do que os vendedores das lojas e consigo fazer uma boa compra sem me deixar levar simplesmente pela marca famosa", explica a gerente de uma entidade do setor privado.
Aos 21 anos, Camila Braga admite que a internet contribui para que ela seja uma consumidora mais exigente. "Com mais informação, eu tenho acesso a diferentes opções de produtos e posso ter mais flexibilidade na hora de comprar", analisa a estudante de recursos humanos.
Já Israel Aquino, 18, confessa que as marcas exercem um fascínio sobre ele, mas o estudante já começa a perceber outros fatores que precisam ser levados em consideração. "Ia comprar óculos escuros de uma marca famosa por R$550. Como o dinheiro está curto, pesquisei melhor e achei uma marca que tem menos status, mas me ofereceu um modelo legal, de qualidade, por R$180. Vou levar este", concluiu, entre risos e meio envergonhado.
De acordo com o gerente de uma loja de calçados da capital, os critérios para consumo variam de acordo com o público. Pablo Rezende, 26, explica que os homens buscam, antes de tudo, o conforto do sapato. Já entre os que procuram artigos esportivos, a preferência é, sim, pelas marcas. "A marca, neste caso, é sinal de tecnologia". No caso das crianças, sempre valorizam os calçados relacionadas a desenhos animados ou super-heróis, E, entre as mulheres, o principal fator é a moda. "Se elas não encontram um produto, ofereço um similar que também faz sucesso".
Fonte: O Tempo - 27.07.2010