BIBLIOTECA
Artigos
Links

Com quais bigs sonha o Brasil

12.05.2010 | Por Josimar Henrique

Não é de hoje que os governos brasileiros sonham constituir bigs operações industriais que façam frente ao tamanho do país e sejam referências para o mundo. Qualquer país que sonhem estar entre os dez maiores costumam citar, como exemplo de sua força, suas multinacionais. Grandes para economia interna. Grande nas economias de outros países. Não é necessário contar uma a uma, mas todos nós sabemos quais são e de que países são. Na última década, assistimos à chegada de empresas indianas, coreanas e chinesas, até então pouco representativas no cenário internacional.

Mas o Brasil ainda não saiu do modelo mais expressivo em toda sua história, extrativismo e agronegócios. Mesmo agora, quando parece haver um eldorado nas profundezas dos mares do país, toda especulação em torno do quanto seremos suficientes e autônomos e do quanto produziremos e venderemos ao mundo, ainda estamos lá, no começo da história. Não é nada diferente em relação ao álcool, o etanol. Ou á expectativa do governo de ampliar as ações da estatal Eletrobras para a América Latina.

A mescla estatização, extrativismo e agronegócios compõe o modelo de pensar de todo grupo político que ocupa o Estado brasileiro. Nos anos 70, sob a ordem de governo militar, o país procurou seguir o modelo de criar bigs. Havia os setores de segurança nacional e aí tudo era estatal. Havia os setores estratégicos, onde o governo brasileiro considerou necessário apoiar a industrialização nacional apoiada na iniciativa privada associada ao Estado. Havia duas expectativas. Uma era a imagem de país grande e economicamente forte. As ações infra-estruturais marcam o país até hoje. Outra era abastecer o país em 100% de tudo que precisasse.

De fato, muitas vezes escutamos dizer que o Brasil produz 99% do tudo que precisa. O 1% faltante está associado a bens de luxo e marcas sofisticadas. O modelo de um ciclo completo de manufaturas começou no Século XVII nos Estados Unidos. Parcialmente, abandonaram nos anos 80 do Século XX. Hoje, em dia, com a ideia do mundo sem fronteiras, mas sustentado por blocos comerciais rígidos e intolerantes ao diálogo, à evasão de divisão e á falta de empregos locais, fez os americanos repensarem se a saída não está, de volta, na industrialização. Mas alto lá: sob novas bases, inovação, ciência e tecnologia.

No que se pode dizer do setor farmacêutico brasileiro, não produzimos tudo que necessitamos. Não produzimos insulina, imagine. Não produzimos insulina, em um país com taxas crescentes e evolutivas de diabéticos. Não produzimos biofármacos. Até hoje importamos albumina humana porque, simplesmente, nunca criamos um programa nacional envolvendo empresas, centros de pesquisas e incentivos públicos e privados. A raiz dessas lacunas não é outra: falta uma iniciativa de Estado.

Estive na comissão que deu início ao Fórum da Cadeia produtiva de Fármacos e Medicamentos. Estive na comissão que deu início ao Fórum da cadeia produtiva de Biotecnologia. A ideia de pensar cadeias produtivas e não setores é excepcional e não devemos abrir mão, porque ela abarca empresas de todos os portes e contém o embrião de uma política completa, envolvendo ciência, tecnologia, educação, iniciativa privada e financiamento. Daí veio a inserção de fármacos e medicamentos como um dos 4 pilares e biotecnologia como um dos três eixos de futuro na Política de desenvolvimento industrial, tecnológico e comércio. Mas não passou daí. O BNDES tinha uma política industrial diferenciada do MDIC. Enquanto a política industrial do MDIC pensava os pilares e eixos de futuro espelhando-se na Lei de Inovação, o BNDES apenas pensava comercialmente, em coisas pouco ligadas a inovação, tecnologia e ciência. Pensava, e pensa, em metro quadrado feito com tijolo, cimento e mão de cal.

Ainda estamos nos anos 70, quando houve o surto de expectativa em torno das bigs. Todos comerciais. As bigs do Século XXI têm de ser pensadas em termos de inovação, ciência e tecnologia. Por isso, no ano 2000, para rever o relatório das manufaturas, os americanos criaram o relatório das inovações. Por isso, no começo desta década, o Brasil criou a Lei de Inovação. Criou e regulamentou. Por isso assinou o tratado internacional de reconhecimento e cumprimento de propriedades e patentes. Ou, por acaso, criamos um tratado internacional para não cumprir e quebrar patentes dos outros?

Nas faculdades brasileiras, incentivados por um modelo sem clareza do que está dizendo e fazendo, ensina-se, agora, aos futuros pesquisadores que não se deve cumprir patentes e propriedades intelectuais. Esquecem de dizer que são elas as bases da formação de riquezas em nossas sociedades. As bigs farmacêuticas brasileiras que o Estado brasileiro, através de seus órgãos de fomentos pensam incentivar, devem estar baseadas em pesquisas, inovação, ciência e tecnologia. Isso, claro, se, desde já, o país almejar manter-se entre as principais economias.

*Josimar Henrique é Presidente da Hebron Farmacêutica - www.hebron.com.br e do Conselho da ALANAC - Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais - www.alanac.org.br
 E-mail:.presidencia@hebron.com.br.

Newsletter

Cadastre-se e receba as novidades.

Integrante da Entidades de referência
Rua Tito Rosas, 83 | 52060-050 | Parnamirim | Recife | PE
Telefone / Fax: 55 (81) 3031.5363
Fishy